Pintar com luz.

Esta é, com certeza, uma das definições do acto de fotografar com mais carga poética.

Pede-se emprestado outro verbo para legitimar a arte do fotógrafo, como se a fotografia, ela própria, não bastasse para ser considerada como tal.

Fotografar tem regras, técnicas, preceitos que devem ser respeitados para se alcançar a perfeição da obra.

Desculpem-me os puristas, mas as minhas fotos não seguem esse caminho. Não é rebeldia, de maneira nenhuma, é antes falta de paciência assumida e a convicção de que a fotografia vive de momentos e não de regras.

Admito, claro, que a técnica ajuda a fazer uma grande foto, mas são a situação, o momento, o ali naquela hora e naquele lugar, que lhe dão a alma.

Quase nenhuma das minhas fotos foi pensada ao pormenor. Resultaram, na sua grande maioria, de segundos roubados ao tempo, para guardar.

Não tenho grandes obras de arte, em que a técnica foi elevada ao seu estado mais sublime para produzir a imagem perfeita. Isso fica para os profissionais.

Os meus são "bonecos" banais, fotos que qualquer mortal poderá fazer com uma câmara descartável.

Contudo, e permitam-me a ousadia de vos chamar a atenção para isto, contudo, dizia eu, cada uma das minhas fotografias é especial para mim, porque estive lá, porque vivi o momento.

João Custódio